Minha amiga Vera me
ligou logo cedo. Eu disse que se ela não acordasse tão cedo eu me casaria com
ela.
Vera Assumpção é
escritora. Escreve os casos em que investigo assassinatos. Em meu último caso,
fui parar em Portugal e vivi uma aventura de tirar o fôlego. Estive envolvido
com Amanda. Mulher apaixonada por mandalas que me deixou atordoado.
Com o caso encerrado,
retornados de Portugal, eu e George jantamos com Vera. George, meu vizinho de
escritório, é um grande cozinheiro. Ele esteve no Festival Gastronômico de
Santarém e lá seu amigo foi assassinado. Ele me chamou e lá fui eu...
Santarém.... Lisboa.... Adoro viajar por Portugal. Seria bom estar lá a passeio
não desvendando assassinatos!
Ontem contamos
para Vera todos os detalhes. O jantar terminou, ela foi para casa. Durante a
noite deve ter ficado escrevendo. Hoje de madrugada, quis esclarecer algumas
dúvidas. Sem se preocupar com horário, pegou o telefone e ligou. Esclareci as
dúvidas. Afirmei que se ela não fosse tão madrugadeira eu me casava com ela.
Desliguei e consegui dormir mais um pouco.
Terminar um caso é
como terminar um livro. É preciso tomar um fôlego para pegar o próximo.
Enquanto tomo este fôlego vou tentar narrar o que vivi enquanto tentava
esquecer a dor de ter perdido a mulher que eu amava.
Atuei num caso que já
está escrito e publicado. Vera deu o nome de Peças Fragilizadas. Terminei o
caso fragilizado, com os nervos em frangalhos. George me forçou a fazer uma
viagem para que eu me distraísse. O que vivi nesta viagem ficou meio que
perdido no meu inconsciente. Sem coragem de aflorar por conta da dor de ter perdido
a única mulher que consegui me aproximar depois do meu divórcio. Na época, aceitei
fazer o serviço para um assassino confesso, um dos chefões do tráfico de
drogas. Fiz pela grana e pela adrenalina. Ele estava envolvido com políticos
poderosos. Resolvi o caso para ele, mas acabei mal, muito mal!
Prometi contar tudo o
que me aconteceu depois do caso encerrado, em detalhes, bem devagar, me
permitindo reviver a dor, o luto Vera vai anotar.
George, além de
vizinho de escritório, é um grande amigo. Por ser um excelente cozinheiro,
quando os casos terminam, fazemos o jantar para comemorar. Ontem, como chegamos
a pouco de Portugal, ele preparou cozido a portuguesa, servido com vinhos que
ele sabe harmonizar. Estava delicioso!
E foi no meio disto
tudo que prometi reviver e contar tudo que me ocorreu desde que minha amiga
querida foi assassinada por minha causa. Para isto preciso de mais fôlego do
que para um caso complicado.
Nos vemos na próxima
postagem.
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