MANDALAS TRANSLÚCIDAS

MANDALAS TRANSLÚCIDAS
Investigação em Portugal

domingo, 30 de novembro de 2014

PICADINHO A GEORGE





Já escrevi muito sobre minha vida. Meu blogue é uma forma de organizar o que conto para minha amiga Vera e ela vai transformando minhas investigações em histórias. É muito bom ter alguém com quem compartilhar os casos. Enquanto conversamos ela anota. O problema é que como ela tem mania de escrever na madrugada, quando esquece algum detalhe me liga quando ainda estou dormindo.
No caso em que estive em Portugal resolvendo a enrascada em que meu amigo George havia se metido de forma bem inocente, vivi experiências muito interessantes.
Confesso que jamais cozinhei na vida até ter me divorciado e ter tido de ir para a cozinha fazer miojos e esquentar pratos prontos no micro ondas. Comecei a apreciar bons pratos depois que instalei meu escritório na Rua 7 de Abril e tive George como vizinho. Ele me iniciou nos bons restaurantes. E além disto, ele é um ótimo cozinheiro e sempre me convida para jantares especiais.
Ele foi a Portugal e participou do Festival Gastronômico de Santarém. Trouxe nem sei quantas receitas que vai experimentando. Mas quando estávamos lá, um senhor de família tradicional, também amante da gastronomia, pediu que George preparasse um almoço brasileiro. De cara, o sujeito determinou que não queria feijoada, nem churrasco. Eu gelei! Almoço brasileiro que não seja feijoada ou churrasco! George não titubeou. Fez picadinho, prato tradicional do Copacabana Palace e de muitos restaurantes.
Participei deste almoço e o picadinho estava genial. Pedi que ele escrevesse a receita e aí vai ela. É a quantidade para duas pessoas, talvez três.
Ingredientes: 600 g de file mignon cortado em cubos, 1 cebola média, 3 dentes de alho, óleo, sal, pimenta do reino e duas caixas de molho roti (este molho pode ser feito em casa).
Modo de fazer: coloque um tanto de óleo numa panela, doure a cebola e o alho, misture o molho roti. O molho está pronto. Agora vem o segredo de George. Aqueça óleo numa panela ou frigideira a parte. Vá fritando os cubos de carne, deixando-os tostadinhos por fora e bem mal passados por dentro. Vá colocando-os no molho. Depois de tudo frito, aqueça o molho, coloque a pimenta do reino e prove se precisa de sal. Se quiser incrementar, coloque um pouco de conhaque.
O picadinho é servido com arroz, feijão, farofa, ovo frito e banana à milanesa.
Quando retornamos de Portugal, ele repetiu a receita e Vera foi convidada. Contamos nossas peripécias e fiquei sabendo que o picadinho é um clássico da boemia carioca dos anos 50. O prato inicialmente era servido nos bares da madrugada para aplacar a fome de quem varava a noite. E acabou chegando na charmosa Boate Meia Noite, do Hotel Copacabana Palace, em que foi celebrizado. Sua fama extrapolou os limites do Rio, ganhou São Paulo e hoje é presença marcante em vários estados.
Bem... Por hoje é só! Vou tentar fazer o picadinho!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

MINHA AMIGA VERA



Minha amiga Vera me ligou logo cedo. Eu disse que se ela não acordasse tão cedo eu me casaria com ela.
Vera Assumpção é escritora. Escreve os casos em que investigo assassinatos. Em meu último caso, fui parar em Portugal e vivi uma aventura de tirar o fôlego. Estive envolvido com Amanda. Mulher apaixonada por mandalas que me deixou atordoado.
Com o caso encerrado, retornados de Portugal, eu e George jantamos com Vera. George, meu vizinho de escritório, é um grande cozinheiro. Ele esteve no Festival Gastronômico de Santarém e lá seu amigo foi assassinado. Ele me chamou e lá fui eu... Santarém.... Lisboa.... Adoro viajar por Portugal. Seria bom estar lá a passeio não desvendando assassinatos!
 Ontem contamos para Vera todos os detalhes. O jantar terminou, ela foi para casa. Durante a noite deve ter ficado escrevendo. Hoje de madrugada, quis esclarecer algumas dúvidas. Sem se preocupar com horário, pegou o telefone e ligou. Esclareci as dúvidas. Afirmei que se ela não fosse tão madrugadeira eu me casava com ela. Desliguei e consegui dormir mais um pouco.
Terminar um caso é como terminar um livro. É preciso tomar um fôlego para pegar o próximo. Enquanto tomo este fôlego vou tentar narrar o que vivi enquanto tentava esquecer a dor de ter perdido a mulher que eu amava.
Atuei num caso que já está escrito e publicado. Vera deu o nome de Peças Fragilizadas. Terminei o caso fragilizado, com os nervos em frangalhos. George me forçou a fazer uma viagem para que eu me distraísse. O que vivi nesta viagem ficou meio que perdido no meu inconsciente. Sem coragem de aflorar por conta da dor de ter perdido a única mulher que consegui me aproximar depois do meu divórcio. Na época, aceitei fazer o serviço para um assassino confesso, um dos chefões do tráfico de drogas. Fiz pela grana e pela adrenalina. Ele estava envolvido com políticos poderosos. Resolvi o caso para ele, mas acabei mal, muito mal!
Prometi contar tudo o que me aconteceu depois do caso encerrado, em detalhes, bem devagar, me permitindo reviver a dor, o luto Vera vai anotar.
George, além de vizinho de escritório, é um grande amigo. Por ser um excelente cozinheiro, quando os casos terminam, fazemos o jantar para comemorar. Ontem, como chegamos a pouco de Portugal, ele preparou cozido a portuguesa, servido com vinhos que ele sabe harmonizar. Estava delicioso!
E foi no meio disto tudo que prometi reviver e contar tudo que me ocorreu desde que minha amiga querida foi assassinada por minha causa. Para isto preciso de mais fôlego do que para um caso complicado.
Nos vemos na próxima postagem.